paru, ecos do barro
projeto expográfico weslei pacheco.

PARU é uma exposição que parte do gesto ancestral da queima da argila para refletir sobre a cerâmica como linguagem e permanência. Inspirada na palavra quechua que designa o “objeto queimado”, a mostra enxerga o barro como matéria viva de
transformação, resistência e memória, entrelaçando práticas contemporâneas com tradições milenares.
Reunindo artistas que exploram o barro para além da função utilitária, a exposição propõe um olhar ampliado sobre a cerâmica na arte atual.
local
Galeria Jacarandá, Lagoa
curadoria
Aldones Ninõ
co-curadoria
Vicente Baltar
projeto expográfico
Weslei Pacheco
ano
2024
artistas
Marcela Cantuária
Ana V Lopes
Gabriella Marinho
Ayla Tavares
Azizi Cypriano
Nathan Braga
Sofia Gama
Vicente Baltar
Beta Azevedo
realização
Arte Clube Jacarandá
produção
Roberta Azevedo
Allan Corsa
design
Karin Palhano
apoios
Paisagens Híbridas Editora
Zona Sul Supermercados
Lagoa Aventuras
agradecimentos
Vicente de Mello
João Vergara
Andrea Borde
Katia Gorini
Gabriel Werneck
Loren Minzú
Camila Felicitas
Allan Corsa
Dansiko
Marina Souza
Stefanie Queiroz
Walla Capelobo

Projeto Expográfico
A expografia de PARU nasce em diálogo direto com as geometrias do espaço expositivo, Pavilhão Victor Brecheret — projeto de Carlos Porto e Leila Beatriz Silveira, premiado na XVII Premiação lAB/Rio por sua arquitetura distinta. As linhas do desenho de piso, que ecoam na monumentalidade do teto piramidal, deram origem ao partido expográfico: uma ocupação que respeita e potencializa a estrutura existente, guiando o olhar e o corpo do visitante em um percurso fluido, quase ritualístico. As obras foram posicionadas de modo a preservar um “plano de fundo branco” — não no apagamento, mas na abertura de espaço — permitindo que o barro, em sua presença silenciosa e ancestral, respirasse no ambiente.


texto curatorial
"A queima é um processo crucial na transformação da argila em cerâmica, e essa metamorfose é um dos aspectos mais antigos e essenciais da humanidade e suas práticas cotidianas. Na língua quechua, “Paru” refere se ao objeto queimado, um estado alcançado após a exposição ao fogo. Esse processo alquímico transforma um material inicialmente maleável e úmido em um objeto resistente e duradouro, capaz de atravessar o tempo. A língua quechua carrega um destacado valor simbólico, atuando como um instrumento vital na recuperação e valorização das identidades, culturas e cosmologias que foram marginalizadas durante e após o período colonial.
Ao nomear esta exposição “PARU” e sentir as reverberações do barro nas práticas dos artistas aqui
reunidos, utilizamos a linguagem como um método para ampliar as formas de narrar, descrever e compreender a realidade, desafiando as narrativas monolíticas das línguas coloniais na América Latina. Os artistas participantes desta mostra resgatam a tradição cerâmica enquanto analisam novas possibilidades para este material ancestral, posicionando-o como uma linguagem central no cenário da arte carioca. Ao reunir artistas que manipulam e dão forma ao barro, esta exposição propõe uma reflexão sobre a cerâmica e sua permanência na cultura, transcendendo sua associação com o ofício ou a técnica utilitária, e afirmando-a como um suporte essencial para as poéticas contemporâneas."
Aldones Ninõ
